Sagração

130km. Essa foi a distância que percorri (ida e volta) para assistir um espetáculo de dança sem igual.

Vou te contar:

Teatro Feevale – Novo Hamburgo. Foto: acervo pessoal.

(abrem-se as cortinas)

Curiosidade

Medo

Caça

Fogo

Sociedade

Poder

Conflito

Guerra

Destruição

Caos

Renascimento

Reconstrução

Esperança

(fecham-se as cortinas)

Cia de Dança Deborah Colker. Teatro Fevale. Foto: acervo pessoal.

Foi assim que, em 70 minutos, a Cia de Dança Deborah Colker contou a história da nossa passagem pelo planeta Terra. Em determinado momento pensei: “que bom que ainda deve estar na metade.” Era o fim.

A platéia ficou vidrada do momento em que as cortinas se abriram até o momento em que elas fecharam, marcando o encerramento da performance. A sensação era de que todos nós prendemos a respiração por um segundo e nos deixamos absorver pela arte, pela dança potente, pelos sons e ritmos brasileiros que dão outra cor à obra clássica de Igor Stravinsky.

A peça do Stravinsky – a partitura da Sagração da Primavera – serve de pano de fundo para a performance. E aqui acontece a quebra com o clássico: ao invés do balé que tradicionalmente a acompanha, temos a dança moderna e a representação da evolução da nossa sociedade sob a ótica dos povos originários brasileiros (pelo menos foi como interpretei). As costuras da sonoridade de uma obra tradicionalmente executada por grandes orquestras com sons rudimentares e rústicos – sons do dia a dia, sons da natureza – traz uma ruptura ainda maior. E no fim, sinto que entendo por que o título do espetáculo é Sagração (sem a Primavera): não é sobre um obra clássica, mas sobre a vida aqui no solo tupiniquim.

Agradeço imensamente a indicação que recebi de uma amiga muito querida a respeito do espetáculo. Não fosse ela eu não teria assistido. Cheguei em casa com a ânsia de colocar um pouco da emoção pra fora, até perceber que me faltavam as palavras para tal.

Se tiveres oportunidade, assista. É uma experiência profunda, dinâmica, questionadora.

Publicado por raphaelbaldi

Nascido em Porto Alegre no ano de 1984. Estudou Física na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas trocou de curso antes da conclusão. Atualmente faz parte do quadro de alunos do Instituto de Informática da mesma universidade, cursando Ciência da Computação. Pretende se formar até o primeiro semestre de 2012. Tem interesse nas áreas de Computação Gráfica, Inteligência Artificial e Otimização, principalmente quando estes temas estão aplicados em jogos. Atualmente trabalha como Desenvolvedor de Jogos na Aquiris, uma empresa sediada em Porto Alegre que desenvolve jogos casuais para publicidade (principalmente jogos online). Dedica o tempo livre para estudar o funcionamento de plataformas tradicionais, como o videogame XBOX 360 da Microsoft e desenvolvimento para sistemas móveis. Tem conhecimentos em C, C++, C#, Fortran, OpenGL, DirectX, desenvolvimento web (PHP, ASP.Net, HTML, CSS, JavaScript), bancos de dados (MySQL, MSSQL), servidores web (IIS, Apache), ferramentas gráficas (Photoshop, Fireworks).

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